BOLETIM ECONÔMICO MAIO/07

Conjuntura

Indicador oficial da inflação (IPCA), registra estabilidade em abril em relação ao trimestre anterior, em decorrência da desaceleração dos preços dos alimentos em natura. Dentre os índices regionais, a região metropolitana de Belém, apresentou a maior variação 0,67%.

2. CUB: CUB  NBR 12.721/06, apresentou alta de 1,36% em abril, com variação maior que o INCC (0,44%). Com este resultado o custo do metro quadrado de construção em Belém, referente ao projeto-padrão RN-8 que em março era de R$614,21 passou para R$622,57.

 

2. Nível de Atividades:

2.1. Emprego: CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), registra no mês de abril,  a geração de 3.482 empregos formais no Estado do Pará. Construção Civil, registra uma forte queda de 4.317 de novos empregos com carteira assinada no periodo de maio/05 a abril/06 para 950 empregos no periodo de maio/06 a abril/07.

 

2.2.Retrospectiva 2006 e a retomada dos investimentos em 2007: Investimentos do PAC para alavancar os reduzidos níveis de   crescimento da economia brasileira, estão muito aquém das estimativas.

           

1. Conjuntura: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), DO IBGE, fechou com 0,25% de variação no mês de abril, contra 0,37% do mês de março. Considerando o resultado acumulado do ano, a variação do  IPCA ficou em 1,51%, menor  do que em igual período de 2006 (1,65%). Nos últimos doze meses o acumulado ficou em 3,00%, pouco acima   da taxa de 2,96% registrada nos últimos doze meses imediatamente anteriores. Em abril de 2006, o índice havia sido de 0,21%. O grupo de alimentação que vinha sendo o principal foco inflacionário desde o inicio do ano, registrou forte desaceleração, passando de 0,98% em março para 0,12% em abril. Foram poucos os produtos que tiveram a taxa de crescimento intensificada de março para abril. Como por exemplo a batata-inglesa, que passou de 7,61% para 36,46%. O leite, passou de 1,02% para 4,15%. Alguns produtos, como por exemplo,  a farinha de mandioca( de 4,96% para 3,69%),  ficaram mais caros porém subiram menos.

Com a estabilidade do grupo alimentação e bebidas, a variação do IPCA ficou por conta dos não alimentícios. O preço do  álcool combustível, que havia apresentado uma queda de  0,64% em março, subiu 7,34% em abril.

Dada a  queda dos alimentos in natura, o IPCA de abril apresentou uma taxa de variação menor que as verificadas no primeiro trimestre. No entanto, os efeitos sazonais da entressafra da produção do álcool e da mudança de estação podem fazer com que essa redução ainda seja modesta.

 

            Os resultados acima também encontraram respaldo em outros índices, como o IGP-M, que elevou-se de 0,04% em abril, abaixo da variação registrada em março 0,34%, fortemente influenciado pelo grupo alimentação e bebidas.

            O INPC apresentou variação de 0,26% em abril, abaixo do resultado de março (0,44%) do mês de março.O acumulado do ano situou-se em 1,62%, maior que o do ano passado (1,00%). Nos últimos doze meses, a taxa ficou em 3,44%, acima do resultado de 3,30%, relativo aos doze meses imediatamente anteriores.

. -------O INCC –DI, (Índice Nacional da Construção Civil) indicador da Construção, calculado pela Fundação Getulio Vargas, registrou em abril  uma variação de 0,43% ante variação de  0,17% em março. O índice referente ao grupo de materiais avançou de 0,19% para 0,31%.  No grupo Mão-de-obra a taxa de variação passou de 0,09% em março para 0,56% em abril. O acréscimo foi conseqüência dos reajustes salanais, nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro.No ano  a variação foi de 1,40%. Nos últimos 12 meses a variação foi de 5,35%..

           

 

Tabela1 I
Índices de Preços

  Índices

  Variação

Out/05

Nov/05

Dez/05

Jan/06

Fev/06

Mar/06

Abril/06

Maio/06

Junho/06

INCC-DI

Índices

324,782

325,703

326,915

328,042

328,651

329,320

330,501

3344,867

337,892

 

Var%mês

0,19

0,28

0,37

0,34

0,19

0,20

0,36

1,32

0,90

 

Var%ano

6,15

6,45

6,84

0,34

0,53

0,74

1,10

2,43

3.36

 

Var%12m

7,45

6,99

6,84

6,41

6,14

5.64

5,26

4,47

5,42

CUB/PA

Índices

683,84

684,14

684,50

688,48

700,68

701,17

706,75

707,54

708,54

 

Var%mês

0,80

0,04

0,05

0,58

1,77

0,07

0,80

0,19

0,14

 

Var%ano

6,10

8,15

8,21

0,58

2,36

2,44

3,25

3,37

3,51

 

Var%12m

12,03

11,25

8,21

6,98

8,45

7,94

8,27

9,62

9,17

IPCA

Índices

2.512,49

2.526,31

2.535,40

2.550,36

2560,8165

2.571,83

2.577,23

2579,81

2.574,39

 

Var%mês

0,75

0,55

0,36

0,59

0,41

0,43

0,21

0,10

-0,21

 

Var%a.a.

4,73

5,31

5,69

0,59

1,02

1,44

1,65

1,75

1,54

 

Var%12m

6,36

6,22

5,69

338,083

5,51

5,32

4,63

4,23

4,03

IGP-M

Índices

333,6940

335,0330

335,006

338,083

338,1280

337,339

335,921

337,185

339,712

 

Var%mês

0,60

0,40

-0,01

0,92

0,01

-0,23

-0,42

0,38

0,75

 

Var%a.a.

0,81

1,22

1,21

0,92

0,93

0,70

0,27

0,65

1,40

 

Var%12m

2,38

1,96

1,21

1,17

1,45

0,36

-0,92

0,33

0,86

INPC

Índices

2.560,23

2.574,05

2.584,35

2,,594,17

2600,13

2.607,16

2.610

2613

2.611,85

-

Var%mês

0,58

0,54

0,40

0,38

0,23

0,27

0,12

0,13

-0,07

-

Var%a.a.

4,07

4,63

5,05

0,38

0,61

0,88

1,00

1,13

1,06

 

Var%12m

5,42

5,42

5,05

4,85

4,63

4,15

3,34

2,75

2,78

 

  Índices

Julho/06

Agosto/06

Setembro/06

Outubro/06

Novembrro/06

Dezembro/06

Janeiro/07

Fevereiro/07

Março/07

Abril/07

INCC-DI

339,484

340,283

340,670’

341.369

342,1590

343,401

344,943

345,682

346,6170

348,1940

Var%mês

0,47

0,24

0,11

0,21

0,23

0,36

0,45

0,21

0,27

0,46

Var%a.a.

3,84

4,09

4,21

4,42

4,66

5,04

0,45

0,66

0,93

1,40

Var%12m

5,00

5,23

5,09

5,11

5,05

5,04

5,15

5,18

5,25

5,35

CUB/PA/99

710,44

725,13

746,06

737,37

765,97

761,34

772,07

-----

-----

-----

Var%mês

0,27

2,07

2,89

-1,16

3,88

-0,06

1,41

-0,25

-1,76

-0,63

Var%a.a.

3,79

5,94

8,99

7,72

11,77

11,23

1,41

1,16

-0,61

-1,23

Var%12m

8,44

9,85

9,97

7,83

11,83

11,23

12,14

9,92

7,92

6,40

IPCA

2.579,28

2.580,57

2.585,99

2.594,52

2.602,56

2.615,05

2.626,56

2.638,12

2.647,8800

2.564,500

Var%mês

0,19

0,05

0,21

0,33

0,29

0,48

0,44

0,44

0,37

0,25

Var%a.a.

1,73

1,78

2,00

2,33

2,65

3,14

0,44

0,88

1,26

1,51

Var%12m

3,97

3,84

3,70

3,26

3,02

3,14

2,98

3,02

2,96

3,0

IGP-M

340,312

341,574

342,5610

344,155

346,746

347,842

349,593

350,524

351,7170

351,869

Var%mês

0,18

0,37

0,29

0,47

0,75

0,32

0,50

0,27

0,34

0,44

Var%a.a.

1,58

1,96

2,26

2,73

3,50

3,83

0,50

0,77

1,11

1,16

Var%12m

1,39

2,43

3,28

3,13

3,50

3,83

3,67

3,66

4,26

4,75

INPC

2.614,72

2.614,20

2.618,380

2.629,64

2.640,68

2.657,05

2.670,07

2.681,28

2.693.0800

2.700,08

Var%mês

0,11

-0,02

0,16

0,43

0,42

0,62

0,49

0,42

0,44

0,26

Var%a.a.

1,18

1,16

1,32

1,75

2,18

2,81

0,49

0,91

1,36

1,62

Var%12m

2,87

2,85

2,86

2,71

2,59

2,81

2,93

3,12

3,30

3,44

CUB/PA/06

 

 

 

 

 

 

 

639,14

614,21

622,57

Var%mês

 

 

 

 

 

 

 

 

-3,91

1,36

Var.a.a.

 

 

 

 

 

 

 

 

-3,91

-2,60

 Fontes: FGV; IBGE e SINDUSCON-PA.
Elaboração: Assessoria Econômica do SINDUSCON-PA.

CUB –  ( NBR 12.721/2006), apresentou em abril/07 alta de 1,36%.

 

O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m2) – projeto padrão representativo (R-8) de Belém, apresentou em abril/07, alta de 1,36% em relação a março A referida variação corresponde a segunda variação  calculada e divulgada de acordo com a nova NBR 12.721:2006 da ABNT, que normatiza o referido indicador de custos da construção e que entrou em vigor em 1º de fevereiro de 2007. Com este resultado o custo de metro quadrado de construção em Belém, para o projeto-padrão R8-N (Residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e 3 quartos que em março era de R$614,21 passou para R$622,57 em abril/07.

O aumento do custo ocorreu em alguns materiais de construção, tendo em vista que os custos com mão-de-obra e serviços não sofreram alteração. A situação macroeconômica do país reflete estabilidade e acredita-se que as altas observadas podem ser consideradas como pontuais, portanto não sendo generalizadas.

No ano (meses de fevereiro até abril), o CUB/mprojeto padrão representativo (R8), teve variação de -1,23, enquanto o INCC-DI, no período de janeiro a abril, apresentou uma variação de 1,40%

O CUB/m2 é calculado e divulgado mensalmente pela SindusconPa, de acordo com a Lei 4.591/64 e a Norma Técnica NBR 12.721:2006, da ABNT.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Custo Unitário Básico (2006), em Belém.

NBR 12.721:2006 da ABNT

Projetos-Padrões/

Fevereiro/07

Março/07

Abril/07

Padrões

 

Cub      

            

Cub        %Abr/ 

                 Mar.   .

Padrão Baixo

R1

PP-4

R-8

PIS

 

658,02

609,67

578,32

421,05

 

630,21

591,05

562,71

407,78

 

632,84     0,41          

592,43     0,23

563,88     0,20

410,98     0,78

Padrão Normal

R1

PP-4

R-8

R-16

 

770,48

737,43

639,14

623,67

 

752,73

703,76

614,21

598,76

 

750,74     -0,27

702,37     -0,20

622,57     1,36

605,60     1,14

Padrão Alto

R1

R-8

R-16

 

977,12

791,84

837,97

 

933,86

760,51

798,05

 

967,85     3,63

780,65     2,64

807,79     1,22

Projetos-Padrões Comerciais

Padrão Normal

CAL-8

CSL-8

CSL-16

 

 

Padrão Alto

CAL-8

CSL-8

CSL-16

 

 

 

749,31

632,70

848,16

 

 

 

812,61

699,36

936,22

 

 

 

 

718,94

614,16

823,28

 

 

 

780,26

677,52

907,83

 

 

 

719,49     0,08

614,32     0,03

823,29     0.01

 

 

 

779,85     -0,06

677,25     -0,04

906,79     -0,11

RP1Q

GI

595,49

342,67

595,49

349,29

592,42     -0,51

350,06      0,22

Fonte: Assessoria Econômica do SindusconPa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadro2

 

Evolução Comparativa CUB NBR 12721/99x INCC-DI

Mês / Ano

CUB / R$

Var. Mensal%

Var. Anual %

INCC – Var. Mês

INCC – Var. Ano

Janeiro / 05

643,78

1,74

1,74

0,75

0,75

Fevereiro / 05

646,08

0,36

2,13

0,44

1,20

Março / 05

649,59

0,54

2,69

0,67

1,88

Abril / 05

652,79

0,49

3,19

0,72

2,62

Maio / 05

645,46

-0,12

2,04

2,09

4,76

Junho / 05

649,03

0,55

2,60

0,76

5,56

Julho / 05

655,15

0,94

3,57

0,11

5,67

Agosto / 05

660,08

0,75

4,35

0,02

5,69

Setembro / 05

678,40

2,78

7,24

0,24

5,94

Outubro / 05

683,84

0,80

6,10

0,19

6,15

Novembro / 05

684,14

0,04

8,15

0,28

6,45

Dezembro

684,50

0,05

8,21

0,37

6,84

Janeiro / 06

688,48

0,58

0,58

0,34

0,34

Fevereiro / 06

700,68

1,77

2,26

0,19

0,53

Março/06

701,17

0,07

2,44

0,20

0,74

Abril/06

706,75

0,80

3,25

0,36

1,10

Maio/06

707,54

0,19

3,37

1,32

2,43

Junho/06

708,54

0,14

3,51

0,90

3,36

Julho06

710,44

0,27

3,79

0,47

3,84

Agosto/06

725,13

2,07

5,94

0,24

4,09

Setembro/06

746,06

2,89

8,99

0,11

4,21

Outubro/06

737,37

-1,16

7,72

0,21

4,42

Novembro/06

765,97

3,88

7,72

11,77

4,66

Dezembro/06

761,34

-0,06

11,23

4,66

5,04

Janeiro/07

772,07

1,41

1,41

0,45

0,45

Fevereiro/07

--------

-0,25

1,16

0,21

0,66

Março/07

--------

-1,76

-0,61

0,27

0,93

Abril/07

---------

-0,63

-1,23

0,46

    1,40

 Fontes: FGV e Assessoria Econômica Sindusconpa

 

 

 

 

Atividades Produtivas: Retrospectiva 2006 e a retomada do crescimento em 2007

 

A economia brasileira vem registrando  um conjunto de  resultados favoráveis, tais como queda da inflação, manutenção de saldos comerciais elevados e a forte expansão das vendas do comércio varejista e do crédito. Não obstante, a expectativa em relação ao PIB do ano passado é de uma taxa de crescimento muito abaixo das reais potencialidades do país.

Em boa medida foi influenciada pela fraca atuação da produção industrial, que fechou 2006, com um crescimento de 2,8%, abaixo dos 3,1% acumulados em 2005. No entanto alguns setores da industria, como o produtor de bens de capital e de bens duráveis, apresentaram alta acima da média.

O resultado satisfatório da industria de bens de capital (crescimento de 5,7% em 2006) foi incentivado por investimentos dos segmentos ligados à infra-estrutura. Como exemplo, cita-se a produção física de bens de capital para a construção que cresceu 8,2%, ante 32% em 2005.

A produção industrial de insumos da construção civil assinalou   crescimento de 4,5 % em 2006, contra 1,3% no ano anterior. Esse resultado pode estar associado à expressiva ampliação do crédito imobiliário, que apresentou aumento de 95,5% nos financiamentos dessa modalidade.

As condições mais favoráveis de crédito ao consumidor, reflexo do aumento dos prazos para pagamento das prestações e a estabilidade dos preços básicos, vem influenciando fortemente a tendência de crescimento nas vendas do comércio varejista no corrente exercício, 9,7% (janeiro a março) e 7,3% em 12 meses, referente ao volume de vendas. O Comércio varejista de material de construção em 2007,  teve suas vendas aumentadas de 6,0% no ano(1º trimestre/07), em relação a igual periodo de 2006  e 6,4% em 12 meses.

Na análise regionalizada do volume comercializado, verifica-se que o comércio varejista  ampliado ( Veículos, motos, partes e peças e Material de Construção), o    Estado do Pará foi destaque com   34,9% de crescimento no mês de março/07 em relação a março/06.

Apesar desses dados alvissareiros, o tão almejado crescimento do PIB não ocorreu durante o primeiro mandato do governo Lula, isso motivou o lançamento do PAC, um pacote de medidas de incentivo ao investimento em infra-estrutura, de estimulo ao financiamento e ao crédito e de melhora no ambiente dos negócios.

A implantação do PAC está ocorrendo com bastante  atrasos como é caso dos programas que compõem as ações em logística (rodovias, ferrovias, portos,aeroportos e hidrovias), com investimentos da área governamental estimados em R$13,4 bilhões para  2007, só conseguiu liberar R$1bilhão, sendo que deste total pouco mais de R$500milhões são recursos novos e o restante correspondem a   restos pagar do ano passado.

Na área habitacional, as noticias são mais alvissareiras, pois de um total estimado de R$17,4bilhões, foram liberados R$5bilhões até 15.05.

No caso do setor de energia elétrica, praticamente nada foi realizado, pois as  licenças ambientais para construção dos novos empreendimentos, ainda não foram concedidas.